quinta-feira, 15 de março de 2018

Ser Robô Mental


COMO ANDA SEU PILOTO AUTOMÁTICO? segue texto para reflexão:

Você não tem uma mente, você é uma mente. Isto significa que é uma máquina. Um robô. Todos nós temos teclas de computador: quando elas são pressionadas, você se torna um robô e demonstra suas reações automáticas. Um robô não pode escolher a forma como reage. Ele tem rede elétrica e circuitos construídos de tal forma que, quando uma tecla é pressionada, ele reage de acordo com a programação. Mas, quando você faz isso, sua vida não funciona tão bem quanto poderia.
Você não pode modificar o que não aceita, mas pode identificar suas reações automáticas e aprender a anulá-las. Está na hora de parar de entrar no “Automático” quando alguém, ou alguma coisa pressiona uma de suas teclas. Em vez disso, investigue o que causa essa reação:
O que o leva a ficar zangado com facilidade?
O que o constrange?
O que o irrita a respeito da pessoa amada?
O que as outras pessoas pensam a seu respeito o governam?
Estas são apenas umas das poucas situações que geram reações de reflexo patelar – reações irracionais, que raramente são de seu interesse. Estas são apenas teclas de programação antiga, não reações autênticas ao que é. Considere como você pode tornar-se consciente de suas teclas, controle-se e anule-se antes de agir como um robô.
O Oráculo Interior – Dick Sutphen / Edit. Record
Fonte: Curso Zélia Nascimento BH

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

O Laço e o Abraço


Queridos leitores, segue texto do mês e a pergunta que fica é: Você faz Laços ou Nó? Como constrói seus abraços diários?...


Mário Quintana
Discernindo Sentimento de Apego (sensação de poder)

Meu deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço. É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece? Vai escorregando...   devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço. Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita. Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços. E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam

Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

DEUS REALISTA NÃO É PERFECCIONISTA

Autor:Barus Spinoza
Fonte: Curso Zélia Nascimento

Encerro este semestre com gratidão e possibilidade de ir além, seguir em frente, prosseguir no hoje, permitindo me conectar com o Real, vivo e contínuo, justo e proporcional, companheiro de todo momento. Permito me conectar ao  Deus vivo nas diversas manifestações do aqui e agora.Segue texto de encerramento do semestre:

Nota: recomendo que faça a leitura em silêncio ( com coração e alma).



“Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construístes e que acreditas ser a minha casa.Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria.
Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro!Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro.Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendestes?Para de crer em mim. Crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu sejas?Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhando, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?
Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, pulsando em ti.
“Quando pedires, deus te dará. Quando buscares Deus te fará encontrar.
Quando bateres Deus te abrirá a porta. Pois o que pedes, recebe de Deus.

O que busca, encontraras em Deus e a quem bate Deus abrirá as portas”.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

O frio pode ser quente


Jandira Mansur

As coisas têm muitos jeitos de ser,
depende do jeito que a gente vê.
O comprido pode ser curto e o pouco pode ser muito.
O manso pode ser bravo e o escuro pode ser claro.
O fino pode ser redondo e o doce pode ser amargo.
O quente pode ser frio e o que parece um mar também pode ser um rio.
(...)
Quem já se queimou num pedaço de gelo e sentiu muito frio depois de um banho quente não pode se espantar do frio poder queimar e o quente também esfriar.
Uma árvore é tão grande se a gente olha lá para cima mas do alto de uma montanha ela parece tão pequenina.
Grande ou pequena depende do quê?
Depende de onde a gente vê.
O domingo é tão curto os outros dias duram tanto,
nas horas eles são iguais
a diferença deve estar naquilo que a gente faz.
O amanhã de ontem é hoje, o hoje é o ontem de amanhã;
dentro dessa complicação quem tem uma explicação?
Dá até para perguntar se o amanhã nunca chega,
e também para pensar hoje, ontem, amanhã depende do quê,
depende do jeito que você vê.
(...)
O pouco pode ser muito, o quente pode ser frio,
será que tudo está no meio e não existe só o bonito ou só o feio?
O comprido pode ser curto, o fino pode ser redondo,
parece mesmo que no fim o bom pode ser ruim,
e neste caso por que não o ruim pode ser bom?
Curto e comprido, bom e ruim, vazio e cheio, bonito e feio
- são jeitos das coisas ser, depende do jeito da gente ver.
Ver de um jeito agora e de outro jeito depois, ou melhor ainda,
ver na mesma hora os dois.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

TEMPERANÇA


Ando às voltas com a ideia de temperança, palavrinha simpática que tem a mesma raiz de tempero, sem o qual a vida fica muito sem graça. Mas também não pode ser demais. Deu pra perceber a delicadeza da questão?
O bacalhau vem salgado, põe-se de molho para tirar o sal, depois se acrescenta um pouco de sal de novo, ele fica ótimo, e aí é que está a arte de temperar. Temperam-se também coisas incomíveis como o aço, uma liga de ferro e o vidro. O clima se diz que é temperado quando há nitidez na diferença entre as estações do ano. E de uma pessoa que dá chiliques por qualquer coisa de diz que é destemperada, ou tem mau temperamento.
Mas meu caso é mesmo com a comida, essa experiência diária de prazer e satisfação que também precisa de tempero, não o dos vidrinhos, mas o da consciência. Por exemplo, para comer o suficiente adequado à necessidade do momento.
Comer demais é uma das maiores burrices da vida, além de ser também um desperdício: sobrecarrega a digestão, entorpece a mente, engorda, prende ou solta o intestino, vira doença. Às vezes é vício – nem existe propriamente fome, mas uma enorme, imensa, incontrolável vontade de comer.
Em busca de iluminação no assunto, leio o capítulo sobre temperança no Pequeno Tratado das Grandes Virtudes de André Comte-Sponville. Começa bem, dizendo que não se trata de não desfrutar nem de desfrutar o menos possível, já que isso não seria virtude, mas tristeza, não temperança, mas ascetismo, não moderação mas impotência. Trata-se de desfrutar o bastante. Em vez de senhores-escravos, passamos a ser amigos das nossas dores e dos nossos prazeres. E quem desfruta com liberdade também degusta a própria liberdade, ao passo que o intemperante é senhor escravo de seus desejos, hábitos, de sua força e de sua fraqueza.
Ser temperante é poder contentar-se com o bastante. Mas não é o pouco que importa: é o poder, do contentamento com o suficiente. “A calma para não deixar o gosto cair no desgosto”.
Aprendo que o insaciável não é o corpo. A falta de limites nos desejos é que nos condena à insatisfação, à falta, à infelicidade, como uma doença da imaginação.
Fica então a proposta de estabelecer conexões: dieta e liberdade, bons hábitos e prazeres, o útil e o agradável. Limites para tudo quanto mais desejo. “Uma vez que se trata de escolher, procure opções que lhe permita depois, o maior número possível de outras opções. Escolha o que o abre: para outros, para novas experiências, para diversas alegrias. Evite o que o feche e o enterre”.               
                                                                                                 
  Autora: Beatriz Lobato Araújo                
   Referencia: Sonia Hirsch –

                                                                         Paixão Emagrece, Amor Engorda – Crônicas, receitas e reflexões
CURSO ZÉLIA NASCIMENTO-BH

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Comentário sobre o filme Rain Man (1988)



Sabemos que a família é o lugar onde nascem e se desenvolvem os seres humanos e que é nela que conferimos nosso suporte emocional, econômico e geográfico (Groissman, 2005).A família é a unidade básica do ser humano, primeiro laboratório social. Independente das características individuais, mentais e físicas, carregamos seus significados e padrões próprios.
Cada membro familiar exerce sua função no sistema , interagindo de forma a alimentarem e serem alimentados por este sistema. Cada sujeito em interação com outro adquire seu papel na trama familiar.
Desse modo, podemos dizer que qualquer movimento em uma das partes  da família irá repercutir nas demais. Alguns acontecimentos ao longo do ciclo de vida familiar também influenciam nesta dinâmica pois exige de seus membros uma série de adaptações. Esses acontecimentos podem ser desde situações de vida dita “normais”, como : nascimento, morte, fases adolescência, adulto, velhice até as inesperadas situações trágicas, doenças crônicas, falência e etc.
O filme Rain Man aborda uma relação familiar focada na interação de dois irmãos, mas que também trazem resquícios de toda uma dinâmica familiar anterior a esse encontro.
Com a entrada de um filho, seja ele autista ou não, a família precisa se organizar para esta nova composição. Essa releitura dependerá das características próprias dessa família em lidar com mudanças.
No caso da inserção do membro autista, essa adaptação à mudança é ainda mais necessária, pois exige de cada membro uma nova rotina em prol das necessidades especiais que o autista apresenta.
Sabemos que o Autista tem características peculiares, ele por si só apresenta uma grande dificuldade em adaptar-se a ambientes e situações, através de seus comportamentos estereotipados e dificuldade de se colocar no lugar do outro, déficits nos comportamentos de comunicação, socialização e interação.
Essas características peculiares exigem da família uma maior flexibilidade, uma vez que o membro Autista é aquele menos capaz de flexibilizar sua rotina. Cabe ressaltar a importância de estar atenta a cristalização de papeis, pois pensando na relação, ambas as partes precisam trocar e ceder, mesmo o autista com suas limitações precisa adaptar-se ao mundo desconhecido, cada um com sua contribuição conforme pode.
A troca interacional está presente em todo o enredo do filme, no qual os dois irmãos estão em constante adaptação ao padrão de cada um. Por outro lado, também percebemos uma forma comum de se relacionar expressando um padrão familiar comum aos dois.
Sintomatologicamente os dois se encontram, ambos necessitando aprender a serem mais flexíveis e a dar sua contribuição para o crescimento da família. O irmão mais velho, autista, carrega consequências de uma institucionalização longa e segregação social, pois pouco conviveu com sua família.
Já o mais novo, interpretado por Tom Cruise, também esteve à margem na medida em que resolve afastar-se de sua família em prol das dificuldades no relacionamento com o pai. Este pai também pareceu ser uma pessoa rígida e que de certa forma não "dava passagem" para seu filho, sempre o submetendo a sua forma de ver as coisas e ao final da vida acaba por criar uma situação em que ambos os irmãos teriam de se RELACIONAR.
Se olharmos de forma ampla, a rigidez nesta família está presente em todos os membros, ironicamente o sujeito autista parece ser o mais flexível, denunciando uma estrutura familiar para além de seu espectro.
O filme nos permite pensar que o diagnóstico é  um ponto entre tantos outros a serem observados, para além do tratamento do Autismo, é necessário pensarmos na contribuição de cada membro para relações mais saudáveis e felizes, que não necessariamente irá culminar numa "cura" do diagnóstico mas talvez de corações.

Nádila Walter da Silva
Psicoterapeuta de Família e pesquisadora do Autismo e as Relações Familiares

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O que é “Lei de Pareto”? ou a Regra 80/20 (Por Luciano Larrosssa)



Em seu livro ”Manual do Controle de Qualidade”  Joseph Duran escreveu:  “O economista Pareto descobriu que a riqueza não era uniformemente distribuída. Muitos outros casos podem ser encontrados – a distribuição da criminalidade entre os criminosos, a distribuição de acidentes em processos perigosos, etc. O princípio de Pareto, da distribuição desigual, é aplicado à distribuição de riqueza e a distribuição das perdas de qualidade.
Como evitar “pre-ocupação e começar a viver”. Basta aplicar 20% na pré e 80% na ocupação, ou seja, ocupe-se em resolver o problema e você encontrará as respostas que precisa. Se aplicar 80% na pré e 20% na ocupação, com certeza passará a vida toda colocando a culpa em alguém. Não é assim que acontece? Para evitar que passemos a vida inteira apagando incêndio, aplique 80% no planejamento e 20% na execução de qualquer projeto pessoal, profissional ou empresarial, principalmente no planejamento do orçamento doméstico, para eliminar 80% dos conflitos domésticos, que leva 80% dos casais ao divórcio.
Lei de Pareto (Vilfredo) – 80% das consequências vêm de 20% das causas. 20% das causas provocam 80% das consequências. Por exemplo: identificar 20% dos alimentos que consome que contém 80% dos nutrientes necessários para se viver bem. Consuma mais esses 20%. Os 20% do que você consome em escolha inadequada, provoca 80% do seu aumento de peso crônico. Consuma menos esses 20%, que provocam em 80% seu aumento de peso crônico.
O Princípio 80/20
A Lei de Pareto (ou o princípio 80/20 como preferir chamar) foi criada pelo economista italiano Vilfredo Pareto. Esta lei diz que: 80% das consequências advêm de 20% das causas. Para que o leitor entenda mais facilmente vou lhe dar alguns exemplos. Segundo o economista italiano: 80% da riqueza mundial está nas mãos de 20% das pessoas. 80% da poluição é causada por 20% dos países ou que 80% da receita de uma empresa provém de 20% dos clientes. As percentagens podem variar entre 85/15 ou 75/25, dependendo dos problemas analisados. Mas a verdade é que dificilmente fogem a esta proporção.

Como fazer? Se já tem uma empresa sugiro que faça essa análise através da Lei de Pareto e calcule quais os clientes que lhe garantem 80% dos lucros. Deverá focar mais a sua atenção nesse segmento, garantindo-lhe mais qualidade e um serviço personalizado. Não digo que não se interesse pelos outros 20% mas não perca muito tempo com eles e se tiver que perder alguns não se preocupe. Concentre-se nos que dão lucro e verá o seu negócio crescer.

Fonte: Curso Zélia Nascimento BH

quinta-feira, 28 de abril de 2016

A PIPOCA, de Rubem Alves.


 (...)A transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca, para sempre. Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre. Pode ser fogo de dentro. Pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso aos remédios. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.
Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pense que sua hora chegou: vai morrer. De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo, a grande transformação acontece: pum! - e ela aparece como uma outra coisa, completamente diferente, que ela mesma nunca havia sonhado. É a lagarta rastejante e feia que surge do casulo como borboleta voante.
Na simbologia cristã o milagre do milho de pipoca está representado pela morte e ressurreição de Cristo: a ressurreição é o estouro do milho de pipoca. É preciso deixar de ser de um jeito para ser de outro. "Morre e transforma-te!" - dizia Goethe.

Em Minas, todo mundo sabe o que é piruá. Falando sobre os piruás com os paulistas descobri que eles ignoram o que seja. Alguns, inclusive, acharam que era gozação minha, que piruá é palavra inexistente. Cheguei a ser forçado a me valer do Aurélio para confirmar o meu conhecimento da língua. Piruá é o milho de pipoca que se recusa a estourar. Meu amigo William, extraordinário professor-pesquisador da Unicamp, especializou-se em milhos, e desvendou cientificamente o assombro do estouro da pipoca. Com certeza ele tem uma explicação científica para os piruás. Mas, no mundo da poesia as explicações científicas não valem. Por exemplo: em Minas "piruá" é o nome que se dá às mulheres que não conseguiram casar. Minha prima, passada dos quarenta, lamentava: "Fiquei piruá!" Mas acho que o poder metafórico dos piruás é muito maior. Piruás são aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. Ignoram o dito de Jesus: "Quem preservar a sua vida perde-la-á." A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo a panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...

(Correio Popular, 29/08/1999)

terça-feira, 22 de março de 2016

Oração de Cura Ho'oponopono

Ho’oponopono, Oração Original

Morrnah Namalaku Simeona


Divino Criador, Pai, Mãe, filho - todos em um.
Se eu, minha família, os meus parentes e antepassados ofendemos Sua família, parentes e antepassados em pensamentos, fatos ou ações, desde o início de nossa criação até o presente, nos pedimos o Seu perdão. Deixe que isto se limpe, purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas. Transmute essas energias indesejáveis em pura LUZ. E assim é.
Para limpar o meu subconsciente de toda a carga emocional armazenada nele, digo uma e outra vez durante o meu dia as palavras-chave do Ho’oponopono.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Declaro-me em paz com todas as pessoas da Terra e com quem tenho dívidas pendentes. Por esse instante e em seu tempo, por tudo o que não me agrada de minha vida presente
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Eu libero todos aqueles de quem eu acredito estar recebendo danos e maus tratos, porque simplesmente me devolvem o que eu fiz a eles antes, em alguma vida passada.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Ainda que me seja difícil perdoar alguém, sou eu quem pede perdão a esse alguém agora, por este instante, em todo o tempo, por tudo o que não me agrada em minha vida presente.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Por este espaço sagrado que habito dia-a-dia e com o qual não me sinto confortável.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Pelas difíceis relações das quais guardo somente lembranças ruins.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Por tudo o que não me agrada na minha vida presente, na minha vida passada, no meu trabalho e o que está ao meu redor, Divindade, limpa em mim o que está contribuindo com minha escassez.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Se meu corpo físico experimenta ansiedade, preocupação, culpa, medo, tristeza, dor, pronuncio e penso: Minhas memórias, eu te amo! Estou agradecido pela oportunidade de libertar vocês e a mim.
EU SINTO MUITO, ME PERDOE, EU TE AMO, SOU GRATO.
Neste momento, afirmo que TE AMO. Penso na minha saúde emocional e na de todos os meus seres amados… TE AMO.
Para minhas necessidades e para aprender a esperar sem ansiedade, sem medo, reconheço as minhas memórias aqui neste momento.
SINTO MUITO, TE AMO.
Minha contribuição para a cura da Terra:
Amada Mãe Terra, que é quem Eu Sou…
Se eu, a minha família, os meus parentes e antepassados te maltratamos com pensamentos, palavras, fatos e ações desde o inicio de nossa criação até o presente, eu peço o Teu perdão deixa que isso se limpe e purifique, libere e corte todas as memórias, bloqueios, energias e vibrações negativas, transmute estas energias indesejáveis em pura LUZ e assim é.
Para concluir, digo que esta oração é minha porta, minha contribuição, à tua saúde emocional, que é a mesma minha,  então, esteja bem. E na medida em que você vai se curando eu te digo que...
Eu sinto muito pelas memórias de dor que compartilho com você.
Te peço perdão por unir meu caminho ao seu para a cura.
Te agradeço por estar aqui para mim...
E TE AMO por ser quem você é.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Informações importantes a vida

10% de nossa felicidade depende do mundo externo;

90% depende de como nos relacionamos com a realidade da vida;

O significado das coisas, não está nas coisas em si, mas em nossa relação com elas (interativa ou de oposição);

Somos gestores da conta-corrente do nosso bem-estar, quer você queira ou não;


“Passado não é Destino”



FONTE: Curso Zélia Nascimento/BH


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Um Navio Amotinado


A mente de um Ser Humano é como um navio amotinado. A tripulação prende o capitão e o navegador na cabine e sente-se livre. Então, um marinheiro, uma parte da mente, assume o comando e pilota o navio por algum tempo. Logo depois, perde o interesse e outro assume seu lugar. Todos se sentem muito livres, mas não há liberdade. Os marinheiros não conseguem chegar a um acordo sobre um porto, uma meta a alcançar. E mesmo que concordassem, não conseguiriam levar o navio até o local desejado e nem manter disciplina necessária para permanecer em curso. A tarefa do adulto, diz Platão, é debelar o motim e libertar o capitão e o navegador para que haja verdadeira liberdade de escolha, de uma meta e um trabalho consistente para a tingi-la.
A mente inventa vários obstáculos para dificultar nosso retorno ao lar: Centro-Ser. Forças que nos distraem para as periferias e nos deslocam deste Centro-Mestre interior que norteia nosso equilíbrio, nosso Centro-Ser.
A meditação é uma experiência, uma prática de ligar a atenção a cada instante. Silenciar o ruído interior para nos religar ao estado de Espírito do Todo. Assim como a ginástica age sobre o corpo, a meditação é um exercício para agir com a Consciência. Lembre da imagem de um cão de caça quando espreita. Ele foca o animal, totalmente consciente de sua presença. Não há mais nada em sua mente. Apenas com atenção ligada ao que está acontecendo no momento. Concentrado, simplesmente, em uma coisa de cada vez.

Fonte: Curso Zélia Nascimento /Livro: Realidades Alternativas/Lawrence LeShan

Summus Editorial

sábado, 7 de novembro de 2015

A sensibilidade como a mais bela condição Humana

Somos Humanos, mas muitas vezes no dia a dia, nos esquecemos desta condição intrínseca, exigindo perfeição, colocando altas expectativas no outro e temendo qualquer iminência do erro. Queremos a felicidade eterna, o prazer desmedido, como se a vida fosse um contínuo de alegrias.
Pouco nos preparamos para a nossa única certeza: a morte. Esta condição humana que nos lembra a fragilidade, o fato de termos início, meio e fim, “em tese”. E que somos recheados de falhas, erros e acertos, ambiguidades e paradoxos inerentes a nosso SER.
Somos integrais, ou seja, cada um de nós levamos dois lados, alegria e tristeza, bondade e maldade, erros e acertos, prevalecendo cada lado dependendo das situações.
Os bens materiais, propriedades, dinheiro são importantes para sobreviver no mundo, mas não fazem sentido sem a peça principal: o SER.
E é nesse SER que nos familiarizamos, na essência somos iguais, mais um nesse Mundão!
Ao tocar uma alma humana é necessário somente outra alma humana, já dizia JUNG, e isto independe da condição material mas da condição existencial.
São valores que se expressam em atitudes, virtudes, afetos e empatia. Quando nos aproximamos com o coração as desigualdades sociais passam a não ter mais importância, pois o coração e alma estão “despidos” de preconceitos e ambições.
E este é o único modo de promovermos mudança, através de um verdadeiro encontro de emoções, numa relação de reconhecimento de si e do outro, compartilhando aquilo que temos de mais verdadeiro e duradouro: nossa essência.
Isso ninguém nos tira, rouba ou destrói, pois é pertencente ao SER. Sua presença pode ser corporal ou espiritual, pois existe dentro de cada um de nós e nunca deixará de ter sua importância.
Um SER que é capaz de aprender, desaprender e reaprender, pois esta é a grande fórmula da vida!




terça-feira, 18 de agosto de 2015

Nosso Corpo

No dia a dia, prestamos pouca atenção nos sintomas que aparecem em nosso corpo, desde uma simples gripe até uma doença crônica. Quando os sinais surgem, tomamos medicamos para calar a dor, e assim o corpo vai se ocultando até não aguentar mais e estourar na forma de um grande sintoma, doença ou até mesmo a morte.
Ninguém gripa simplesmente pelo fato de estar próximo ao vírus, à gripe se instala quando o organismo está fraco, o sistema imunológico atenua e assim damos abertura para o vírus reinar.
Quando estamos tristes, com pouca energia, cansados ou com raiva, temos maior propensão de desenvolver e adquirir doenças, pois estamos vulneráveis, numa interlocução entre corpo e mente. A alegria de viver, refletir, digerir cada sentimento, ajuda nosso corpo no contato com o mundo externo, fortalecendo-o para enfrentar a batalha pela vida.
Cada sintoma está relacionado à nossa dinâmica pessoal, nosso emocional e história de vida. Nascemos com um corpo “em branco” e assim ele vai sendo desenhado conforme nossas vivências.
É claro que a história e situação pessoal não dependem unicamente de uma escolha, mas a maneira como vamos nos tratar frente ao contexto é plausível de modificações. Numa atitude perante a vida mais consciente, respeitando os próprios limites e necessidades. Atento aos sinais que nos aparecem, sejam no corpo, na fala, nas atitudes e demais situações.
Sabemos que não iremos encontrar todas as respostas para as angústias, mas prestar atenção aos sinais da vida auxilia a encontrar sentido e conectar com aquilo que nos faz bem, nos tornam saudáveis!

É possível escutar o corpo e conhecer sua linguagem, que muitas vezes se expressa por sensações prazerosas, por bloqueios ou pela dor, que nada mais é do que um grito para pedir atenção. “O corpo não mente. As doenças ou o prazer que animam algumas de suas partes têm significados profundos”, revela Jean-Yves Leloup


Fonte: Curso Zélia Nascimento


sexta-feira, 10 de julho de 2015

Aprender com a Vida!

“O homem nasceu para aprender, aprender tanto quanto a vida permita. Cada dia aprendo um pouco mais da vida. Sei que o labirinto também está  andando, avançando, evoluindo.O que a gente tem que aprender é, a cada instante, afinar-se como uma linhazinha, para caber no fundo da agulha, que cada momento exige...A gente só aprende bem, aquilo que não entende.E o que não existe de se ver, tem força demais, em certas ocasiões.A vida é assim.O correr da vida embrulha tudo.Esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa.Sossega e depois desinquieta.O que ela quer da gente é coragem.O que Deus quer é ver a gente aprendendo, a ser capaz de ficar alegre a mais, no meio da alegria e mais alegre ainda, no meio da tristeza.Quem quer aprender aprende.Eu quase que nada sei.Mas desconfio de muita coisa(...) Qual é o caminho certo da gente? Nem para frente, nem para trás: só para cima.Ou parar curto, quieto.(...) Mestre não é quem ensina, mas quem de repente aprende!”

Compartilho acima parte do texto de Guimarães Rosa, apresentado durante o curso com Zélia Nascimento. Ao final do primeiro semestre, os olhos enchem de lágrima, na alegria e contentamento diante de tantos aprendizados, conteúdos de vida que tocam a alma, sentimento de gratidão!

Refletimos que ser alegre no meio da tristeza é ser comum, saber a aprender com a dor, vivendo os conflitos que a vida nos oferece porque ela não toma partido, não escolhe cor, raça, etnia, status social, apenas segue seu caminho conforme as circunstâncias.A vida é conflito! Ela não exclui nada, apenas convive, e convida o aprendiz a não se opor,  pois tudo faz parte, se não faz sentido para mim, faz para o outro.
A vida independe de vontade e caprichos, ela existe antes mesmo de você existir, ela não está na história, nem no comportamento e cultura, ela é o Agora, e a todo o momento te chama para caminhar, basta você colaborar e seguir seu fluxo!


“O curioso é que o Bem Estar não depende do conforto e nem de situações favoráveis, mas simples e unicamente da sensação de ir em frente, na certeza de que vale a pena VIVER”  (Zélia Nascimento)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

“Ensinem os Filhos a Falhar” Jean-Pierre Lebrun

Estudioso das relações familiares, o psicanalista belga Jean-Pierre Lebrun diz que aprender a lidar com o insucesso é fundamental para livrar-se de apuros na vida adulta.
A idéia dos pais como senhores do destino dos filhos vem desabando progressivamente, no ritmo das transformações sociais. “O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescerem. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha”.
Por que os pais têm tanta dificuldade de controlar seus filhos?
 Isso é reflexo da perda de legitimidade. Até pouco tempo atrás, a sociedade era hierarquizada, de forma que havia sempre um único lugar de destaque. Ele poderia ser ocupado por Deus, ou pelo papa, ou pelo pai, ou pelo chefe. Isso foi se desfazendo progressivamente, e o processo se acentuou nos últimos trinta anos. Hoje a organização social não está mais constituída como pirâmide, mas como rede. E na rede não existe mais esse lugar diferente, que era reconhecido espontaneamente como tal e que conferia autoridade aos pais. As dificuldades para impor limites se acentuaram, causando grande apreensão nas pessoas quanto ao futuro de seus filhos.
Existe uma fórmula para evitar que os filhos sigam por um caminho errado?
É preciso ensiná-los a falhar. Uma coisa certa na vida é que as crianças vão falhar, não há como ser diferente.
É inescapável errar. Todo mundo, em algum momento, vai passar por isso. Aprender a lidar com o fracasso evita que ele se torne algo destrutivo. Hoje os filhos se tornam um indicador do sucesso dos pais. Isso é perigoso, porque cada um tem a sua vida. Não é justo que, além de carregarem o peso das próprias dificuldades, os filhos também tenham  de suportar a angústia de falhar em relação à expectativa depositada neles.
Desde sempre, quando se levam os filhos pela primeira vez à escola, eles choram. Hoje em dia, normalmente são os pais que choram. A cena é comum. É como se esses pais tivessem continuado crianças. Isso acontece porque eles não são capazes de se apresentar como a geração acima da dos filhos.
Como o senhor avalia essa mudança? Esse novo arranjo é pior do que o anterior? Hoje os pais precisam  discutir tudo, negociar o que antes eram ordens definitivas. E isso não é necessariamente algo negativo, desde que fique claro que, depois de negociar, discutir, trocar idéias, quem decide são os pais.
Manter uma criança em satisfação permanente, com sua chupeta na boca o tempo todo, fazendo por ela tudo o que ela pede, a impede de ser confrontada com a perda da satisfação completa. E isso vai ser determinante em sua formação. Mas o que essa perda tem a ver com o fato de as pessoas enveredarem por um caminho autodestrutivo?
É uma anomalia no processo de humanização. Não nasçemos humanos, nós nos tornamos. Isso ocorre quando aprendemos aquilo em que somos singulares entre todos os animais que habitam o planeta. Somos os únicos capazes de falar.
Aprender a falar, ou tornar-se humano, é algo que não ocorre espontaneamente. É uma reação a uma perda do estado permanente de satisfação completa com a qual somos confrontados na primeira infância. Ou seja, o processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa. É esse o curso saudável das coisas. Se os pais boicotam esse processo, podem estar cometendo um erro.
Com que consequências?
Isso faz com que estejamos cada vez menos preparados para lidar com o sofrimento da nossa condição humana. Há séculos que as drogas têm algo de paraíso artificial, como diz Baudelaire. Ou seja, uma forma de se refugiar da dor humana, da insatisfação. As drogas sempre serviram para evitar o confronto com esse sofrimento. Quanto menos você está preparado a suportar as dificuldades, mais está inclinado a se evadir, a recorrer a substâncias, sejam as drogas ilícitas, sejam as medicamentosas, para limitar o sofrimento que vai se apresentar. Quando criança, a pessoa já precisa ser confrontada com a condição humana da perda de satisfação. Dessa maneira, na idade adulta, sua relação com o fim de uma paixão amorosa, por exemplo, tem maiores chances de ocorrer de maneira mais aceitável e menos traumática.
Que conselho o senhor daria  a pais que têm filhos viciados?
Esse é o momento em que os pais devem aceitar que algo não funcionou direito em vez de tratar o problema como se tudo estivesse perdido. Nem sempre está. Não há dependência química que não seja fruto de uma interação malsucedida entre o contexto social em que o indivíduo está inserido e o seu trajeto singular desde a infância. O que vale é a capacidade dos pais de fazer os filhos crescerem. De incutir-lhes a verdadeira condição humana. Esse é o bom ambiente familiar, independentemente do desenho que a família tenha.
O melhor mesmo, então, é aceitar que a existência é sofrida?
O processo é mesmo muito mais complexo do que ocorre com outros animais. Um cão nasce cão e será assim para o resto da vida. Um tigre será sempre tigre. Um humano, no entanto, precisa se tornar plenamente humano. É uma enorme diferença. Esse processo leva uns vinte, 25 anos e está sujeito a percalços. Na Renascença já se falava disso: não somos humanos, nós nos tornamos humanos.

Revista - VEJA / 09 dez. 2009
FONTE: CURSO ZÉLIA NASCIMENTO BH\2015

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Sobre o processo de psicoterapia e a fábula da xícara chinesa:

Diz a fábula que o mestre e seu discípulo estavam caminhando. O mestre aproveitava a oportunidade e tentava passar alguns ensinamentos ao discípulo. Numa determinada etapa da conversa o discípulo estava encontrando dificuldades em assimilar o que o mestre estava tentando lhe passar. Então o mestre sugeriu que eles voltassem ao templo, pois ele queria tomar chá.

Chegando ao templo o mestre solicitou ao discípulo que preparasse um bule de chá. O discípulo, prestativo, foi preparar o chá. Voltou com o chá pronto, no bule, e as xícaras. Imediatamente serviu o mestre... Para surpresa do discípulo, quando este estava para encher a sua própria xícara, o mestre solicitou que ele voltasse e colocasse mais chá na xícara do mestre. Ao que o discípulo arguiu: - "Mas a sua xícara já está cheia!" O mestre, impávido, confirma: - "Por favor, coloque mais chá em minha xícara!" Nova argumentação do discípulo, nova confirmação do mestre. O chá começa a transbordar para a bandeja, e o discípulo para... O mestre insiste em sua solicitação: Que quer que ele continue a colocar chá em sua xícara. O chá escorre pela bandeja e, desta, ao chão. O bule fica vazio.

O mestre, então, indaga o discípulo: - "O que você aprendeu com isto?" O discípulo diz que nada, pois ele já sabia que o chá iria escorrer para a bandeja e para o chão.

O mestre retruca: - "O ensinamento que isto nos traz é que para caber mais chá na xícara, a xícara precisa estar um pouco vazia. Em xícara cheia não cabe mais chá." E continuou: - "Assim também somos nós!" E complementou: - "Assim é a nossa cabeça. Quando achamos que sabemos tudo, quando temos muitas certezas, quando a nossa cabeça está totalmente cheia de verdades, então a nossa cabeça não tem espaço para mais nada, novos ensinamentos e percepções não conseguem chegar."

Concluindo: - "É necessário ter permanentemente a nossa cabeça um pouco vazia para poder apreender as mudanças da realidade que nos cerca, sob o risco de nos divorciarmos da realidade."

O discípulo começou a entender. O mestre seguiu: - "As nossas certezas vêm do que vivemos no passado. Mas o passado já passou, e o que acontece hoje não pode ser interpretado à luz do passado. Isso seria o mesmo que caminhar em uma noite escura, para frente, em um caminho desconhecido, com uma vela acesa às nossas costas, iluminado o caminho já percorrido.

E finalizou: - "Relaxe e deixe sempre sua cabeça um pouco vazia para apreender o que o mundo lhe oferta de novidades e oportunidades."

Assim como nesta fábula, no processo terapêutico, o cliente precisa estar aberto para novas formas de pensar, sentir, agir e ver o mundo a sua volta.
Esvaziando-se de algumas crenças, manias, pensamentos caducados que já não fazem sentido na vida atual.
O processo consiste em desfazer de velhas opiniões e aprender a fazer perguntas que movem no aqui e agora, de modo a contribuir para uma vida plena e saudável. “Será que é só assim? Não tem outro jeito?...” (sic)
Ao invés de acrescentar conteúdos a uma “xícara” transbordada, que não conseguirá conter conhecimento, precisamos inicialmente deixar o chá velho correr pelo ralo e permitir que haja espaço vazio para que novos sabores entrem.
Quem busca psicoterapia, aprende que para mudar é necessário perder! Dentre as perdas: “a velha opinião formada sobre tudo”!
É um processo que exige humildade para aprender com a vida, com as pessoas, com as relações, permitindo o aflorar de novas ideias.
Uma cuca fresca para enfrentar os altos e baixos da vida!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ALEGRIA!!!



Ao escolher o que quero fazer, eu me transformo pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim, mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca. Agora vem a pergunta milionária: qual é a maior gratificação que alguma coisa pode nos dar na vida? Qual é a recompensa mais alta que podemos obter de um esforço, uma carícia, uma palavra, uma música, um conhecimento, uma máquina, ou de montanhas de dinheiro, do prestígio, da glória, do poder, do amor, da ética ou de seja lá o que for? Já vou avisando que a resposta é tão simples, que talvez o decepcione: o máximo que podemos obter, de seja lá o que for, é ALEGRIA. Tudo o que leva à Alegria se justifica (pelo menos de um ponto de vista, embora não seja absoluto). E tudo o que nos afasta, irremediavelmente da Alegria, é um caminho equivocado.
O QUE É A ALEGRIA? Um “sim” espontâneo á vida que brota de dentro de nós, às vezes quando menos esperamos. Um “sim” ao que somos, ou melhor, ao que sentimos ser. Quem tem alegria já recebeu o prêmio máximo e não carece de nada. Quem não tem Alegria- por mais sábio, bonito, sadio, rico, poderoso, santo, etc., que seja – é um miserável, que carece do mais importante. Pois bem, ouça: o prazer é magnífico e desejável quando sabemos colocá-lo a serviço da Alegria. Mas não, quando a turva ou a compromete. O limite negativo do prazer não é a dor, nem mesmo a morte, mas a Alegria. Quando começamos a perdê-la por um determinado deleite, com certeza, estamos desfrutando o que não nos convém.
É QUE A ALEGRIA – não sei se você vai me entender, mas não consigo me explicar melhor – é uma experiência que envolve prazer e dor, morte e vida. É a experiência que, definitivamente aceita, o prazer e a dor, a morte e a vida. A arte de colocar o prazer a serviço da Alegria, ou seja, a virtude que sabe, não deixar o gosto cair no desgosto, é chamada, desde tempos antigos, de temperança. Trata-se de uma habilidade fundamental do homem livre, mas hoje não está muito na moda!!! Tentei ensinar-lhe formas de andar, mas nem eu nem ninguém, temos direito de carregá-lo nas costas. Termino, no entanto, com um último conselho: Uma vez que se trata de escolher, procure uma opção que lhe permita depois, o maior número possível, de outras opções. Não faça uma escolha que o deixe encurralado de cara para a parede. Escolha o que abra: para os outros, para novas experiências, para diversas Alegrias. Evite o que o feche e o enterre. Quanto ao mais, boa sorte.

Fonte: Curso Zélia Nascimento - Ética para meu filho – Fernando Savater
Ed. Martins Fontes


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

POR QUE AS PESSOAS GRITAM?

Um dia, um mestre indiano, preocupado com o comportamento dos seus discípulos, que viviam aos berros uns com os outros, fez a seguinte pergunta:

Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas ou quando não se entendem?

Gritamos porque perdemos a calma – Disse um deles.

Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado? Questionou novamente o pensador.

Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos escutasse- Retrucou o discípulo.

O mestre volta a perguntar:
Não é possível falar com a outra pesssoa em voz baixa?

Os alunos deram várias respostas, mas nenhuma delas convenceu o velho pensador, que esclareceu:

O fato é que quando duas pessoas gritam é porque,quando estão aborrecidas, seus corações estão muito afastados.E, para cobrir esta distância, precisam gritar para que possam escutar-se mutuamente.Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão de gritar, para que possam ouvir umas ás outras, por causa da grande distância.

E continuou o sábio:
Por outro lado, quando duas pessoas estão enamoradas, não gritam; falam suavemente.Por quê? Porque seus corações estão muito perto.A distância entre elas é pequena.Ás vezes, seus corações estão tão próximos que nem falam, somente sussurram.E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham o que basta.Seus corações se entendem.É justamente isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.

Por fim, o pensador conclui, dizendo:

Quando vocês discutirem, não deixe que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará o dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A força do Otimismo

A revista Galileu deste mês de agosto publicou uma matéria sobre "A força do Otimismo", tema de suma importância num ano "atípico" , marcado pela derrota humilhante de nosso time na Copa do Mundo e um período eleitoral recheado de frustrações.
A matéria começa indagando o modo como enfrentamos os obstáculos de nossa vida. Você é um sujeito que costuma sempre olhar para o lado negativo das situações? ou aquele que sempre vê o lado bom das coisas?
A pesquisa científica mostrou que o sujeito otimista tende a se recuperar melhor de procedimentos cirúrgicos, tem um sistema imunológico mais sólido e viverá mais! Além de apresentar mais chances de vencer um câncer.
A matéria mostra com clareza que os pensamentos negativos afetam o sistema nervoso por longos períodos e que o estresse pode causar doenças como diabetes e certos tipos de demência.
A origem evolutiva do otimismo está na maneira que encontramos de lidar com a morte " a única forma de conseguirmos antecipar o futuro sem entrar em desespero é sermos irracionalmente otimista" , explica Ajit Varki, biólogo da Universidade da Califórnia.
Médicos afirmam que medicamentos ansiolíticos e antidepressivos tem sua ação potencializada quando o paciente é avisado sobre os efeitos positivos do medicamento a priori.
A força do pensamento altera o melhor efeito de algumas drogas em nosso corpo e o contrário também é verdadeiro."Uma história conhecida é a de Sam Shoeman, um norte americano que no final dos anos 1970 foi diagnosticado com câncer no fígado e soube que teria apenas alguns meses de vida.De fato, Shoeman morreu pouco tempo depois de receber o diagnóstico, mas chocou os médicos porque durante a necrópsia descobriu-se que o tumor era mínimo e que não havia se espalhado" . Ele não morreu de câncer, mas da força de seu pensamento.
Cabe questionamentos sobre o excesso de otimismo, que pode se transformar em negação da realidade.Tanto o otimismo quanto o pessimismo têm características produtivas a vida cotidiana, um sabendo enfrentar com energia de viver as adversidades e o outro encarando as coisas como realmente são.
Sabemos que muitas pessoas carregam o legado da tristeza absoluta, tudo é motivo para sofrer e há aqueles que não demonstram tristeza, passando a imagem que tudo está sempre lindo e perfeito.
Uma pergunta crucial: Como você se relaciona com o seu melhor e o seu pior? Os extremos de nossas atitudes sempre demonstram que esquecemos de olhar para o outro lado da moeda, aquele lado que equilibra a balança!
Grande parte das pessoas que estão sofrendo vivem de imaginário, acorrentadas por suas idéias, pensamentos e impressões. O real nos oferece possibilidades, a imaginação não.
A mesma energia que gastamos para sofrer, é a mesma que gastamos para nos recuperar!O otimista não nega o real, não esquece que está doente, mas vai além, ele enxerga recursos!Esforça-se para fazer diferente e cria outras maneiras de adaptar a "nova" realidade.
Infelizmente, vivemos numa cultura na qual a pessoa sofredora é a mais valorizada, "pobre coitado".Nesse sentido, olhar para o lado negativo é o caminho mais fácil, já que ver flores nas adversidades exige um olhar sensível, atento, criativo e persistente!
Viver é perigoso, carece de corAGEM!!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Eu não Entendo as Mulheres"

Foi esse o “título” da mensagem enviada por um leitor que se descreve como ex-romântico. Explica que, desde muito jovem, sonhou em conhecer uma garota especial que o levasse a viver “esse tal de amor”. Hoje aos 41 anos, ainda mora com a mãe e não casou talvez por não ter encontrado a pessoa certa. Muitas decepções o levaram a concluir que esse sentimento só existe no imaginário das pessoas. Acredita apenas no amor de mãe e filho e de cão com o dono.

Segundo sua visão, as mulheres não querem compromisso, pois parece que toda relação é descartável. Como cansou de se ferir, deixou de lado o sonho de criança e se refugiou no sexo. Conhece alguém, sai, mantém relações sexuais e depois cada um para seu lado.
Resumindo, procura não se apegar a nenhuma mulher, assim ninguém se machuca.

Até que algo novo lhe aconteceu. Conheceu uma mulher que o deixou encantado e paralisado desde a primeira vez que a viu. Paralisado porque não esperava encontrar o que tanto desejava. Passou semanas conversando com ela ao telefone e quando decidiu combinar de saírem juntos, ela simplesmente sumiu.

Homens e mulheres solteiros reclamam com frequência que encontram muitas dificuldades de manter um relacionamento afetivo sério. Ninguém quer compromisso. Há de ter uma razão para isso. O ritmo de vida de muita gente, aliado a outros tantos fatores que variam de pessoa para pessoa, as impede de construir relações duradouras nas quais é essencial a divisão, a compreensão, o abrir mão de determinados hábitos e desejos. Compartilhar não é tarefa fácil, principalmente quando: o orgulho e a necessidade de exercer poder pesam muito.

Tudo aquilo que é recorrente em nossa vida nos mostra que estamos mantendo um mesmo padrão de comportamento. Se sempre nos envolvemos com pessoas difíceis, descompromissadas, não quer dizer que todas as pessoas são difíceis e avessas ao compromisso. Apenas estamos fazendo algo que nos leva a atrair para junto de nós esse tipo de pessoa. Alguns idealizam demais as parceiras, outras esperam dos outros e de si mesmo mais do que podem oferecer. Há também os que se deixam contaminar pelos padrões que a sociedade impõe. Se o verdadeiro amor existe? Muitos casais estão por aí para provar. E eles também provam que ter amor não quer dizer ausência de conflitos. Pelo contrário. Quer dizer saber administrá-los.

Texto de: Patrícia Espírito Santo – Jornal Estado de Minas
Fonte: Zélia Nascimento