terça-feira, 2 de dezembro de 2014

ALEGRIA!!!



Ao escolher o que quero fazer, eu me transformo pouco a pouco. Todas as decisões deixam marca em mim, mesmo antes de deixá-la no mundo que me cerca. Agora vem a pergunta milionária: qual é a maior gratificação que alguma coisa pode nos dar na vida? Qual é a recompensa mais alta que podemos obter de um esforço, uma carícia, uma palavra, uma música, um conhecimento, uma máquina, ou de montanhas de dinheiro, do prestígio, da glória, do poder, do amor, da ética ou de seja lá o que for? Já vou avisando que a resposta é tão simples, que talvez o decepcione: o máximo que podemos obter, de seja lá o que for, é ALEGRIA. Tudo o que leva à Alegria se justifica (pelo menos de um ponto de vista, embora não seja absoluto). E tudo o que nos afasta, irremediavelmente da Alegria, é um caminho equivocado.
O QUE É A ALEGRIA? Um “sim” espontâneo á vida que brota de dentro de nós, às vezes quando menos esperamos. Um “sim” ao que somos, ou melhor, ao que sentimos ser. Quem tem alegria já recebeu o prêmio máximo e não carece de nada. Quem não tem Alegria- por mais sábio, bonito, sadio, rico, poderoso, santo, etc., que seja – é um miserável, que carece do mais importante. Pois bem, ouça: o prazer é magnífico e desejável quando sabemos colocá-lo a serviço da Alegria. Mas não, quando a turva ou a compromete. O limite negativo do prazer não é a dor, nem mesmo a morte, mas a Alegria. Quando começamos a perdê-la por um determinado deleite, com certeza, estamos desfrutando o que não nos convém.
É QUE A ALEGRIA – não sei se você vai me entender, mas não consigo me explicar melhor – é uma experiência que envolve prazer e dor, morte e vida. É a experiência que, definitivamente aceita, o prazer e a dor, a morte e a vida. A arte de colocar o prazer a serviço da Alegria, ou seja, a virtude que sabe, não deixar o gosto cair no desgosto, é chamada, desde tempos antigos, de temperança. Trata-se de uma habilidade fundamental do homem livre, mas hoje não está muito na moda!!! Tentei ensinar-lhe formas de andar, mas nem eu nem ninguém, temos direito de carregá-lo nas costas. Termino, no entanto, com um último conselho: Uma vez que se trata de escolher, procure uma opção que lhe permita depois, o maior número possível, de outras opções. Não faça uma escolha que o deixe encurralado de cara para a parede. Escolha o que abra: para os outros, para novas experiências, para diversas Alegrias. Evite o que o feche e o enterre. Quanto ao mais, boa sorte.

Fonte: Curso Zélia Nascimento - Ética para meu filho – Fernando Savater
Ed. Martins Fontes


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