quarta-feira, 28 de maio de 2014

"Eu não Entendo as Mulheres"

Foi esse o “título” da mensagem enviada por um leitor que se descreve como ex-romântico. Explica que, desde muito jovem, sonhou em conhecer uma garota especial que o levasse a viver “esse tal de amor”. Hoje aos 41 anos, ainda mora com a mãe e não casou talvez por não ter encontrado a pessoa certa. Muitas decepções o levaram a concluir que esse sentimento só existe no imaginário das pessoas. Acredita apenas no amor de mãe e filho e de cão com o dono.

Segundo sua visão, as mulheres não querem compromisso, pois parece que toda relação é descartável. Como cansou de se ferir, deixou de lado o sonho de criança e se refugiou no sexo. Conhece alguém, sai, mantém relações sexuais e depois cada um para seu lado.
Resumindo, procura não se apegar a nenhuma mulher, assim ninguém se machuca.

Até que algo novo lhe aconteceu. Conheceu uma mulher que o deixou encantado e paralisado desde a primeira vez que a viu. Paralisado porque não esperava encontrar o que tanto desejava. Passou semanas conversando com ela ao telefone e quando decidiu combinar de saírem juntos, ela simplesmente sumiu.

Homens e mulheres solteiros reclamam com frequência que encontram muitas dificuldades de manter um relacionamento afetivo sério. Ninguém quer compromisso. Há de ter uma razão para isso. O ritmo de vida de muita gente, aliado a outros tantos fatores que variam de pessoa para pessoa, as impede de construir relações duradouras nas quais é essencial a divisão, a compreensão, o abrir mão de determinados hábitos e desejos. Compartilhar não é tarefa fácil, principalmente quando: o orgulho e a necessidade de exercer poder pesam muito.

Tudo aquilo que é recorrente em nossa vida nos mostra que estamos mantendo um mesmo padrão de comportamento. Se sempre nos envolvemos com pessoas difíceis, descompromissadas, não quer dizer que todas as pessoas são difíceis e avessas ao compromisso. Apenas estamos fazendo algo que nos leva a atrair para junto de nós esse tipo de pessoa. Alguns idealizam demais as parceiras, outras esperam dos outros e de si mesmo mais do que podem oferecer. Há também os que se deixam contaminar pelos padrões que a sociedade impõe. Se o verdadeiro amor existe? Muitos casais estão por aí para provar. E eles também provam que ter amor não quer dizer ausência de conflitos. Pelo contrário. Quer dizer saber administrá-los.

Texto de: Patrícia Espírito Santo – Jornal Estado de Minas
Fonte: Zélia Nascimento


quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Mito de Ícaro nos Tempos Modernos

Na mitologia grega, Ícaro era filho de Dédalo, um dos homens mais criativos e habilidosos de Atenas, conhecido por suas invenções e pela perfeição de seus trabalhos manuais, simbolizando a engenhosidade humana.

Um de seus maiores feitos foi o Labirinto, construído a pedido do rei Minos, de Creta, para aprisionar o Minotauro. Por ter ajudado a filha de Minos a fugir com um amante, Dédalo provocou a ira do rei que, como punição, ordenou que ele e seu filho Ícaro fossem jogados no Labirinto.

Dédalo sabia que a sua prisão era intransponível, e que Minos controlava mar e terra, sendo impossível escapar por estes meios. "Minos controla a terra e o mar", disse Dédalo, "mas não o ar. Tentarei este meio".

Dédalo projetou asas, juntando penas de aves de vários tamanhos, amarrando-as com fios e fixando-as com cera, para que não se descolassem. Foi moldando com as mãos, de forma que estas asas se tornassem perfeitas como as das aves.

Estando o trabalho pronto, o artista, agitando suas asas, se viu suspenso no ar. Equipou Ícaro e o ensinou a voar. Então, antes do vôo final, advertiu seu filho de que deveriam voar a uma altura média, nem tão próximo do sol, para que o calor não derretesse a cera que colava as penas, nem tão baixo, que o mar pudesse molhá-las.

Eles primeiramente se sentiram como deuses que haviam dominado o elemento ar. Ícaro deslumbrou-se com a bela imagem do sol e, sentindo-se atraído, voou em sua direção, esquecendo-se das orientações de seu pai. A cera de suas asas começou rapidamente a derreter e logo Ícaro caiu no mar.

Quando Dédalo percebeu que seu filho não o acompanhava mais, gritou:

"Ícaro, Ícaro, onde você está?".

Logo depois, viu as penas das asas flutuando no mar. Lamentando suas próprias habilidades, chegou seguro à Sicília, onde enterrou o corpo e chamou o local de Icaria em memória de seu filho.

Ícaro, entusiasmado pela possibilidade de liberdade, sai voando sem pensar e refletir sobre suas reais condições na terra.  Vai em busca de seu sonho, chegar ao sol, sem ponderar os riscos.
Durante muito tempo, Ícaro esteve preso imaginando o mundo do lado de fora, construiu sua asa junto ao pai, e seguiu desafiando a lei da realidade.
A liberdade ilusória, de que “tudo posso e tudo alcanço ”, dura pouco tempo, pois a vida lhe ensina que para ter a liberdade que deseja é fundamental uma medida, um equilíbrio entre o desejo e a razão.
Assim como Ícaro, a maioria das pessoas, tem a falsa impressão de que Liberdade é alcançar o todo, sem limites, sem obstáculos, recheado de excessos e regalias.
A liberdade de vida, é a autonomia com responsabilidade, é fazer escolhas levando em consideração que existem perdas e ganhos, mas quem escolhe é você! Ai está toda diferença, a pessoa que escolhe qual conjunto de riscos e prejuízos vai tomar! Escolhe a própria lei, determina a si mesmo, consequentemente experiência a liberdade de autonomia sobre a própria vida.
Engana-se quem pensa que vive uma liberdade desmedida, pois todo excesso nos afasta da vida real, vivendo um mundo paralelo.
Ícaro foi levado pela emoção da suposta liberdade e do desejo sem limites, numa impressão de superioridade e possibilidade de igualar-se ao sol.

Quantos “Ícaros” habitam no mundo de hoje? Recheado de excessos e de uma falsa sensação de liberdade, uma ilusão “do tudo posso, tudo tenho” mas pouco sei de mim mesmo. Pobre Ícaro, esqueceu-se que para realizar um sonho é preciso estar bem acordado, “Passarinho quando se debruça, já sabe o rumo que tem”.

sábado, 17 de maio de 2014

A separação como uma crise de vida



Ao longo da vida vivenciamos constantes mudanças, algumas mais marcantes que outras!
Toda mudança vem de uma crise, impossível mudar quando tudo está bem! A crise vem para nos mostrar que algo não caminha...
A separação, costumamos dizer, ser o segundo principal luto na vida de uma pessoa. Digo principal, pelo fato de ser um dos lutos mais difíceis de lidar, o primeiro é o luto pela morte de uma pessoa querida.
A sensação de vazio profundo em função da perda de alguém parceiro, nos leva a lidar com vazios existenciais, demandando que voltemos o olhar a nós mesmos.
Desse modo, a crise vem no sentido de exigir que cada um encontre sua nova identidade, num processo de reorganização, amadurecimento e atitude.
Naturalmente, as pessoas tem receio de viver crises, acostumados com a ideia de que viver bem é permanecer igual, imutável, sem aprendizados.
A crise faz parte da evolução, desde criança até a velhice passamos por crises de identidade, para alguns mais afáveis do que para outros.
A separação marca uma crise, consequentemente uma oportunidade de transformação, de revisão e dinamismo. Contudo, o bom uso da crise irá depender da disponibilidade de cada um! 
Qual a sua disponibilidade para mudanças?



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Comentário sobre o filme " A Menina que Roubava Livros"

A Menina que Roubava Livros, filme recém-estreado repleto de conteúdos históricos e de vida. Um conteúdo em especial me chamou atenção: o das relações que se configuram ao longo da trama.
Liesiel, uma menina marcada pela opressão de uma época, inicia sua trajetória de vida com o luto pela morte do irmão. Uma experiência em que o vazio se configura em suas formas mais dolorosas, além disso, vive a ruptura de vínculo com sua mãe. Inicialmente a pequena garota vivencia duas perdas! Logo, a metáfora do livro aparece marcando o poder das ressignificações das relações humanas, um relacionar que transcende ao corpo físico e é o livro a marca familiar ao longo de sua história.
O livro configura o vínculo em sua vida, uma metáfora que diz da troca, do doar-se, da presença em suas diversas formas. Eles lhe proporcionam releituras a momentos de terror e confortam corações nas horas incertas.
Várias são as cenas em que esta jovem garota pega seu livro e amplia contextos que para muitos seriam impossível ressignifica-los.
Uma postura, uma possibilidade de ser operante e ativa mesmo em contingências aversivas.
Vínculos que ela constrói através da troca de histórias, tanto por meio das leituras quanto pelas pessoas as quais se relacionam.
Uma disponibilidade para aprender com o outro, sair de si. Podemos pensar que naquele momento estar só não lhe ajudaria a avançar, e ficaria fadada a dor do abandono.
O filme nos mostra que Liesiel não esquece sua dor, mais segue em frente traçando o caminho que lhe é possível. Sem desconsiderar os aprendizados que a vida lhe proporcionou, vai além, sendo autora de sua própria história.

Nádila Walter

Texto do Rubem Alves - Tênis x Frescobol

Como costumamos dizer que Maio é o mês das noivas, gostaria de compartilhar com vocês esse texto do Rubem Alves.Acredito que muitos já o conhecem, mas a reflexão é sempre válida! Casado, namorando ou solteiro, vale a pena pensar sobre o modo como relacionamos...

"Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol:

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha.

Certamente você identificou seu relacionamento entre uma destas modalidades esportivas. Os relacionamentos tipo frescobol, cooperativos, são especiais, pois visam um crescimento mútuo. Já nos relacionamentos tipo tênis, os objetivos são de competição e não cooperação. Mal sabe o casal que não existe um que ganha ou um que perde: os dois saem perdendo por construírem um relacionamento com esta base..."

E você, joga Tênis ou Frescobol?
Não se esqueçam que para existir um relação, precisamos de no mínimo 3 lados: EU, VOCÊ E NÓS!
Como são suas relações? Desqualificadoras ou Potencializadoras?





Escolhi este nome para o Blog " Psicoterapia das Relações", por entender que todos os problemas e questões nascem das relações, assim como as soluções para os problemas emergem no desenvolver dessas relações.
Nesse sentido, o foco da terapia sistêmica é em como são constituídas as diversas relações que nos cercam, desde a minha relação pessoal até as relações de trabalho, relações familiares, relação sexual, relação ecológica e outras mais.
O objetivo do blog é criar um espaço de discussão e ampliação da consciência sobre o tema, para que através da leitura possam surgir novas idéias, caminhos e sentidos.
Espero que desfrutem dos textos e que possamos nos des-envolver juntos!